A ideia é antiga, mas presta-se a aplicações elétricas atuais…
Uma ideia simples pode estar prestes a popularizar-se… mesmo que o conceito tenha sido inventado em 1901. Os motores de roda estão prestes a ganhar aplicações reais. A moto Verge tem um. Apesar de já ter sido mostrada em 2021, continua a ter um aspeto impactante, sem cubo central ou eixo. A Verge faz parte da Donut Lab, um fabricante finlandês de motores em forma de donut.

A ideia é maravilhosamente simples. O rotor de um motor normal, a parte rotativa, está dentro da roda, com o seu veio de saída a sair do centro. O estator, o enrolamento da bobina que não roda, está fixo à carcaça exterior. Um motor de roda inverte esta configuração. O rotor está no diâmetro exterior, integrado no aro da roda e, portanto, acionando-a. O estator está fixo à suspensão.
O grande diâmetro significa muito mais binário do que o normal, pelo que não há necessidade das engrenagens de redução que acompanham os motores internos. Sem engrenagens, sem eixos de transmissão e, portanto, menos atrito, complexidade e peso.
Aplicado num automóvel com tração traseira, cada roda traseira possui o seu próprio controlo de binário, proporcionando uma vetorização de binário extremamente eficiente e diversos modos de drift. Melhor ainda, existem possibilidades entusiasmantes para o design e aproveitamento do espaço.

A remoção do motor central, das engrenagens, do diferencial e dos semieixos irá libertar espaço para as baterias, bagagem ou zonas de deformação programada. Assim, o carro poderá ter maior autonomia, mais espaço interior e um balanço dianteiro e traseiro mais curto. No caso das motos, em que as atuais baterias elétricas perfazem grande parte do peso do veículo, dispensar esses outros sub-sistemas seria uma vantagem nítida.
Há uma objeção óbvia, mas revela-se muito menos significativa do que se possa imaginar. Os motores nas rodas parecem pesados, e a massa rotativa não suspensa é prejudicial para a dinâmica. Mas, na verdade, estes motores de alta densidade de potência pesam pouco. Há uma década, com os motores nas rodas de outro pioneiro da Protean em mente, a Lotus Engineering realizou um estudo com um Ford Focus MkII.

Os condutores testaram o carro antes e depois da adição de massa não suspensa – 15 kg rotativa e 15 kg estática – em cada roda. A condução, a aderência, o conforto, a direção e o refinamento foram afetados. Mas, na opinião da Lotus, nada que não pudesse ser recuperado com um ajuste normal da suspensão. Além disso, se um carro tem tração traseira, as rodas dianteiras e a suspensão mantêm-se como estão. Isto minimiza os efeitos no peso e na sensibilidade da direção, bem como a diferença de resposta devido a interferências giroscópicas adicionais. Recorde-se que, considerando que os grandes fabricantes de automóveis investiram milhões em plataformas de veículos elétricos com motores centrais, a dominação mundial ainda está longe para esta nova invenção.
Dizemos nova, mas… os motores nas rodas foram utilizados pela primeira vez no híbrido Lohner-Porsche em 1901. Agora, talvez estejam prestes a regressar numa qualquer moto…
















