Fibra de linho é uma alternativa ecológica e de futuro
Este conceito de scooter elétrica substitui plástico por linho em busca da sustentabilidade.

A marca indiana de veículos elétricos Ather explora os painéis da carroçaria em fibra de linho flax, à medida que os fabricantes procuram cada vez mais alternativas às baterias na corrida para reduzir as emissões. A fibra de linho é uma fibra natural e sustentável extraída dos caules da planta Linum usitatissimum, utilizada principalmente para produzir tecido de linho. Reconhecida por ser duas a três vezes mais resistente que o algodão, é um material durável, respirável e biodegradável.
Para além dos têxteis, é utilizada em compósitos ecológicos, isolamento e produtos de papel… e agora, com um substituto do plástico em painés moto.
A especialista suíça em materiais Bcomp juntou-se à empresa indiana de scooters elétricas Ather Energy para produzir um novo conceito de veículo de duas rodas concebido para explorar como os materiais sustentáveis podem moldar as futuras motos e scooters elétricas.

Denominado Redux, o concept situa-se entre uma scooter e uma moto, sendo descrito pela Ather como uma “moto-scooter”. Não se destina à produção em série, mas sim a servir de laboratório móvel para novas ideias relacionadas com materiais, embalagens e design — especificamente, a utilização de compósitos de fibra de linho em substituição dos plásticos convencionais. A scooter elétrica contará com uma funcionalidade chamada “MorphUI”, que permite alterações na interface de utilizador do modelo. Terá também um ecrã vertical, em vez dos ecrãs horizontais que vimos nos modelos atuais da marca.
No centro do projeto está o ampliTex, o compósito tecido da Bcomp feito de fibras de linho. Os painéis são montados numa estrutura leve de alumínio e foram concebidos para serem estruturais e visíveis, em vez de estarem escondidos sob pintura ou revestimento plástico.
De acordo com a Bcomp, o material oferece uma pegada de carbono significativamente menor do que o plástico ABS, a fibra de vidro ou a fibra de carbono, com alegações de redução de até 85% nas emissões de CO₂ em comparação com os equivalentes em fibra de carbono.

Esta procura por materiais alternativos reflete o que estamos a começar a ver noutros setores da indústria de motociclos. A Honda, por exemplo, tem vindo a expandir constantemente a utilização do Durabio — um plástico de engenharia à base de plantas — juntamente com plásticos reciclados nas suas motos de produção.
O objetivo não é apenas um marketing mais ecológico, mas também a redução das emissões ao longo do ciclo de vida, mantendo a durabilidade e o acabamento. A Redux parte de uma ideia semelhante, mas leva-a mais longe, fazendo do próprio material uma parte fundamental da identidade visual da moto.
A Ather afirma que o compósito de linho traz benefícios que vão além da sustentabilidade, incluindo o amortecimento das vibrações e um comportamento mais previsível sob tensão. O acabamento entrançado exposto também se enquadra na filosofia de design “de dentro para fora” da empresa, onde os componentes devem parecer concebidos com esse aspeto deliberadamente em vez de ocultos.
Fundada em 2013 em Bengaluru, a Ather foi uma das primeiras startups de scooters elétricas da Índia e já vendeu mais de 5.000 scooters até à data. A Redux é descrita como um “laboratório vivo”, que alimenta as plataformas futuras com dados e experiências, em vez de apresentar uma antevisão de um modelo específico.
Bikash Jyoti Biswas, responsável de design da Ather Energy, disse que o projeto visava equilibrar a responsabilidade ambiental com a usabilidade diária, a rigidez e a durabilidade — áreas em que os materiais ecológicos tradicionalmente têm dificuldades. A Bcomp, por sua vez, faz questão de salientar que a sustentabilidade não foi a única razão pela qual a Ather escolheu o ampliTex.
O desempenho estrutural e a aparência diferenciada do material foram igualmente importantes. A Redux não chegará às lojas tão cedo, mas destaca uma mudança mais ampla: à medida que as motos elétricas amadurecem, o foco desloca-se das baterias e dos motores para incluir a forma como as motos em si são construídas e de que materiais são feitas.















