Teste Yamaha MT-10 de 2022 – “The Dark Side Queen “

By on 17 Março, 2022

Realizado por Alfonso Sanchez – Solomoto

O “ Lado Escuro do Japão” tem uma hierarquia particular e sem dúvida que a MT-10 governa com mão de ferro nesse contexto específico.  No imaginário da Yamaha este modelo lidera sem oposição e supõe ser o cume máximo de uma saga peculiar de motos Naked, criadas para proporcionar o máximo de prazer e diversão.

Antes de mais há que deixar clara uma premissa, estamos perante uma soberana de facto muito peculiar, de imagem muito impactante nas suas formas, que desde logo não irá deixar ninguém indiferente.

Se a anterior versão da MT-10 já suscitava comentários sobre o seu aspecto cibertrónico, o design de 2022 mantém a mesma linha desafiante  e exibe uma frente “Picassiana” digna da mesmíssima Rossy de Palma.  O certo é que a Hypernaked da Yamaha transborda de personalidade e faz quaisquer concessões demonstrando de forma inequívoca que sabe o que quer.

A MT-10 representa o topo da família MT, culminando uma gama que começa na pequena MT-125, continua com as MT-03 e MT-07 e chega à recta final com a MT-09 antes de chegar à protagonista de hoje. Uma hypernaked que do cimo dos seus 1.000 cc acumula mais de 17.000 súbditos compradores desde o seu lançamento com enorme protagonismo e destaque em mercados como o inglês, o francês e o alemão.

Para continuar a afirmar-se como “Master of Torque “ da casa dos diapasões japonesa, a MT-10 mantém um frontal facilmente identificável. Nesta versão de 2022 assume um estilo quase “cubista” no seu design, com uma dupla óptica de tecnologia LED de dimensões mínimas, colocadas por debaixo do sistema de iluminação diurna em forma de sobrancelhas carregadas.

O poder desta Naked evidencia-se pelas suas formas agressivas e em particular pela forma do seu enorme depósito flanqueado por duas também enormes entradas de ar, realidade que destaca e reforça a imagem musculada de uma hypernaked hypervitaminada. De resto a Yamaha opta por um conceito minimalista, despojando a sua MT-10 de tudo o que não seja absolutamente essencial, rematando a traseira com um farol extremamente compacto.

Em qualquer caso a fórmula de esta japonesa gira em torno de quatro eixos principais, primeiro um motor muito potente dotado de um em enorme binário, depois uma eletrónica de última geração que ajuda sem interferir, um quadro e umas suspensões capazes de tirar máximo partido do rendimento da sua mecânica e por fim uma imagem de família que reforça o conceito MT em toda a sua extensão.

A Herança Racing

Se nos focarmos em primeiro lugar no coração da “ besta “ vemos que o tetracilíndrico de 998 cc com arquitectura “CrossPlane” herdado da desportiva R1 , cumpre agora com a normativa Euro 5, o que para todos os efeitos não lhe retirou potência e pelo contrário ganhou algo mais de resposta. Esta realidade foi conseguida através do desenvolvimento levado a cabo na admissão e na injecção, assim como a substituição das bielas de titânio por umas de aço. Essas e outras alterações permitiram ganhar mais binário nos médios regimes e aumentar a potência máxima em 5 CV , atingindo os 165.9 CV.

No entanto a verdadeira magia chega através da electrónica, graças ao acelerador Ride-by-Wire e a um novo IMU de 6 eixos que permite dispor de controle de tração em curva, controle de derrapagem, controle anti-cavalinho e claro, ABS em curva.

Mas voltemos novamente atrás. Todos sabemos que um motor numa moto é como se fosse um ente vivo e que respira, um aspecto que contribui definitivamente para o carácter de uma moto e que neste caso é especialmente relevante.

O certo é que os engenheiros da Yamaha montaram na nova MT-10 uma caixa de filtro com três tubos de admissão de diferentes comprimentos e secções transversais. O som que emite a admissão foi especialmente afinado e pode ser audível graças às saídas colocadas nas laterais do depósito de combustível, como se fossem duas colunas de som para ouvirmos a “besta” a respirar.

E da mesma forma que ouvimos a inspiração também o exalar do ar através do escape totalmente novo, com coletores e ponteira fabricados em titânio, envolve-nos num estonteante ritmo sonoro.  Em termos estéticos deixa algo a desejar e na nossa opinião a MT-10 merecia algo mais impactante em termos visuais.

Onde não há nada a apontar  é relativamente ao seu quadro. Uma peça soberba em alumínio, de arquitectura Deltabox, que se une a um braço oscilante também em liga leve, e que se complementa com um sub-chassi em aço, algo mais compacto. Uma ciclística que privilegia agilidade do conjunto já que a distância entre eixos foi encurtada para apenas 1.405mm.

Em termos de ciclística conta ainda com suspensões invertidas KYB de 43mm, totalmente reguláveis, ( pré-carga de mola, compressão e extensão ) e um amortecedor traseiro da mesma marca que funciona com bielas e é também totalmente ajustável.

Como uma luva

Na verdade o conjunto tem um desempenho admirável. Talvez a afinação de origem das suspensões fossem algo duras para o meu peso ( 65 Kg ) razão pela qual se notavam demasiado as imperfeições da estrada a alta velocidade. Realidade facilmente superada dada a possibilidade de ajustes múltiplos das suspensões. Só é necessário um pouco de tempo e paciência.

Em matéria de travões a MT-10 é toda uma referência. Duplo disco flutuante de 320mm com pinças radias de 4 pistons na dianteira, acionadas por uma nova bomba radial da Brembo, proporcionam uma travagem de excepção com enorme tacto, progressiva e muito potente. Nada a apontar.

Na traseira um disco de 220mm acompanha a potente travagem dianteira e ajuda a equilibrar a moto quando rodamos mais rápido. O tacto é aceitável embora tenha tendência a exercer uma pressão imediata e contundente ao mínimo toque realidade que requer habituação.

Tudo isto sem esquecer que ainda podemos contar com o travão de motor desta fantástica Naked 1000. Um controle que ainda podemos dosificar em dois níveis permitidos pela electrónica. Na verdade durante o teste pude provar os dois níveis mas acabei por preferir o mais acentuado, que é o nível 1, realidade que nos permite compensar com uma menor intervenção do travão traseiro.

Outra novidade são as jantes de liga leve de 5 raios que montam agora novas válvulas de enchimento a 90º, realidade que facilita muitíssimo o controle de pressão dos pneus. A MT-10 de 2022 monta agora pneus Bridgestone Battlax S22, uma solução que durante todo o teste que realizámos demonstrou um nível de aderência excelente em qualquer situação e uma grande rapidez a ganhar temperatura.

Antes de sairmos pelos arredores da cidade de Valência a testar toda a generosidade e desempenho da Yamaha MT-10, estivemos a conhecê-la melhor nos jardins do hotel e a primeira impressão é realmente impactante. Assim que montas na moto sentes que tudo está colocado onde deve e que o assento é muito cómodo também, realidade que pudemos logo de seguida comprovar no trajecto de 200 Kms que realizámos. A largura do depósito obriga-nos a abrir ligeiramente as pernas mas em simultâneo a sentirmo-nos bem encaixados na sua ergonomia. O guiador é também largo mas sem ser em excesso.

À procura do seu lugar

Apesar dos seus 212 Kg a moto não se sente pesada e conseguimos movê-la com enorme facilidade parados. Já a rodar a sensação de ligeireza e de agilidade do conjunto é enorme, realidade que pudemos comprovar durante o percurso de cidade que realizámos, proporcionando um grande à vontade no meio do transito citadino. A MT-10 move-se com enorme agilidade graças sobretudo à curta distância entre eixos e a um angulo de viragem bastante generoso e não demasiado penalizado pelas bainhas da suspensão dianteira.

O único senão em cidade é o facto de a primeira velocidade ser muito comprida facto que obriga em muitas ocasiões a utilizarmos muito a embraiagem cujo acionamento não é propriamente fácil.

Outra situação que convém definir antes de arrancarmos é o Modo de motor com que pretendemos rodar já que em andamento o sistema não te permite fazer alterações do modo e apenas alguns parâmetros dentro do mesmo. E esta realidade leva-nos a comentar sobre o painel TFT de informação, que é de dimensão algo contida mas de boa leitura e um funcionamento para acesso a toda a informação que disponibiliza em nada complicado.

Para navegar basicamente apenas temos que fazer rodar um botão no punho direito, pa cima e para baixo, e pressionar o mesmo quando pretendemos selecionar uma função. No mesmo podemos optar por um dos 4 modos de condução, modos que sua vez podem ser personalizados nas diferentes níveis de intervenção que por defeito estão atribuídas aos mesmos.  Como já é habitual nas motos que incluem ajudas electrónicas sofisticadas há que perder algum tempo para perceber como tudo funciona e como na prática os deferentes ajustes alteram o comportamento da moto.

No punho esquerdo encontra-se um novo sistema de “cruise control” muito útil para quando rodamos em auto-estrada, que inclui ainda um prático limitador de velocidade.

A verdadeira diversão, aquela que nos prometem quando entramos no “Dark Side”, chega quando a estrada começa a retorcer-se. É a partir de aí que a MT-10 respira fundo e mostra ao que vem, com acelerações brutais e uma resposta fulgurante sempre que rodas o punho, e tanto assim é que o teu melhor aliado acaba por ser o controle anti-cavalinho, já que por vontade própria a MT-10 tem tendência a dispensar que a roda dianteira toque na estrada. Uma vez que começas a controlar todas as variáveis e começas a rodar com fluidez, curva atrás de curva, começas a sentir o verdadeiro prazer de condução que te proporciona a MT-10 e a sentir todo o potencial deste modelo.

Podes curvar em segunda velocidade ou em terceira que, por mais que seja fechada uma curva, o fantástico binário que entrega o tetracilíndrico faz-te sair ao rodar do punho sem qualquer bater de válvulas. Se o quiseres rodar de forma ainda mais agressiva podes fazê-lo em primeira pois  aquilo que a mesma te penaliza em cidade, por ser tão longa,  garante-te neste caso um ritmo diabólico, a não deixar dúvidas sobre o significado de “The Master of Torque”.

Para além do motor o comportamento do quadro é determinante nas mudanças de apoio entre trajectórias, desenhadas sempre de forma limpa e permitir correcções fáceis sempre que entramos fora dos limites. Aqui vemos que a electrónica intervém de forma imperceptível para manter o equilíbrio de todo o conjunto, uma realidade que acabamos por agradecer.

Também a caixa do tipo Quickshift bi-direcional, que a MT-10 monta de origem e que funciona com a precisão de um relógio nos ritmos mais altos,  contribui de que maneira para manter o ritmo alto. Já em condução lenta e entre veículos em cidade a caixa endurece e perde desempenho tornando-se lenta e imprecisa e a obrigar a termos que usar a embraiagem.

Em estrada aberta e com possibilidade de exploramos a sua mecânica, a velocidade e acelerações da MT-10 são verdadeiramente escandalosas, quase assustadoras, no entanto mantém uma enorme capacidade de manter a estabilidade das suas trajectórias sem se mover um milímetro que seja. Já em viagens mais longas é melhor manter a calma e não nos esquecermos que a MT-10 é uma naked e que na frente não existe qualquer proteção aerodinâmica. De qualquer forma rapidamente nos apercebemos dos limites pois as nossas cervicais de imediato nos dão sinal.

Para aliviar esta situação e permitir rodar com alguma proteção a Yamaha disponibiliza um Pack de acessórios muito útil para as viagens de fim de semana, o Weekend Pack, que inclui um écran dianteiro de altura média, um assento mais confortável e uma mala que se fixa sobre o assento.

Também para quem pretenda um “tunning” mais desportivo a marca disponibiliza também um Pack Sport que inclui escape Akrapovic, proteções laterais e suporte de matrícula mais ligeiro.

Em conclusão a MT-10 é sem lugar a dúvidas uma Hypernaked poderosa e brutal, talvez não tão radical como outros modelos existentes no seu segmento, mas a rainha absoluta do “Dark Side of Japan”.  A MT-10 tem um preço base de 15.000 euros e está disponível em 3 opções cromáticas, Cyan Storm, Icon Blue e Tech Black.

MT-10 SP – A versão ainda mais Dark

Mais sofisticada, a versão SP da MT-10 é a máxima expressão do conceito Dark Side. Uma versão que monta suspensões Ohlins de segunda geração, com 3 modos de ajuste semi-activos e outros 3 por ajuste manual, com um acabamento em nitruro de titânio. Os travões contam também com tubos de malha de aço. Nos acabamentos conta ainda com uma pintura Premium, monta uns painéis laterais inferiores, uma corrente de transmissão secundária com acabamento dourado, novas entradas de ar para melhorar o arrefecimento do óleo do motor, e o braço oscilante com acabamento escovado e lacado transparente.

A versão SP da MT-10 tem um PVP base de 17.750 euros e está disponível na cor Icon Performance.

O que mais gostámos e o que menos

MOTO +

  • Um motor que não acaba mais
  • Uma ciclística soberba
  • Uma eletrónica perfeita

MOTO –

  • Uma primeira velocidade demasiado longa
  • Impossibilidade de alterar os Modos  a rodar.

Ficha Técnica Yamaha MT-10 2022

  • Motor tipo  4 cilindros em linha 4T líquido DOHC 16V
  • Diâmetro x curso 79 x 50,9 mm
  • Cilindrada  998 c.c.
  • Potência máxima  165,9 CV @ 11.500 rpm
  • Binário máximo  112 Nm @ 9.000 rpm
  • Alimentação   Injeção electrónica
  • Emissões de CO2   159 g/km
  • Caixa  6 velocidades
  • Embraiagem  Multidisco en baño de aceite
  • Transmissão secundária  Corrente de O’rings
  • Tipo de quadro Perimetral em alumínio dupla viga
  • Geometria de direção  24° e 102 mm
  • Braço oscilante   Duplo braço de alumínio
  • Suspensão dianteira  Invertida KYB de 43 mm regulável
  • Curso  120 mm de curso
  • Suspensão traseira  Mono amortecedor KYB regulável
  • Curso  120 mm de curso
  • Travão dianteiro   2 discos de 320 mm pinças radiais de 4 pistons
  • Travão traseiro    Disco de 220 mm. com pinça de dois pistons
  • ABS    Cornering à frente e atrás
  • Pneus e jantes  120/70-17 y 190/55-17
  • Distância entre eixos  1.405 mm
  • Altura assento  835 mm
  • Peso em marcha  212 kg
  • Depósito  17 l
  • Consumo médio  6,8 l/100 km
  • Autonomía teórica   250 km
  • Garantía oficial  3 años
  • Importador  Yamaha Motor Portugal
  • Web   www.yamaha-motor.eu
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