
Multimilionário que criou a maior coleção de motos do mundo
De piloto da Porsche a fundador do Barber Vintage Motorsports Museum, George Barber Jr. construiu um “museu vivo” que redefiniu a forma como as motos e os carros de corrida antigos são preservados e celebrados. George Barber Jr., fundador do Barber Vintage Motorsports Museum, faleceu aos 85 anos.

De leiteiro a milionário
Barber construiu um império de laticínios que lhe permitiu satisfazer as suas paixões: Pilotar Porsches e colecionar Lotus e motos. Visitámos o Museu em 2010 e sugerimos a um habitante local que decerto Barber teria herdado uma fortuna. A resposta quase ofendida, foi “Não, não, quando eu era pequeno o Sr. Barber entregava o leite porta a porta!”
Em comunicado a confirmar o seu falecimento, o museu disse:
“Estamos profundamente tristes com o falecimento de George Barber. Ele construiu mais do que uma organização – construiu uma comunidade. Estamos gratos pela sua visão e liderança e partilharemos mais informações nos próximos dias.”
A morte de Barber marca o fim de uma era para a cultura do automobilismo americano. O que começou como um projeto pessoal por paixão evoluiu para o que é oficialmente reconhecido como a maior coleção de motos do mundo – e um dos destinos de desporto automóvel mais importantes do planeta.

Porsches, Lotus e… todas as motos do Mundo
O amor de Barber pela velocidade começou muito antes do museu. Na década de 1960, correu com Porsches, conquistando 63 vitórias. Depois de se retirar do automobilismo em 1988, tornou-se colecionador de carros clássicos.
Uma sugestão do seu amigo de longa data, Dave Hooper, levou-o a concentrar-se nas motos, uma mudança que definiria o seu legado. Em 1994, Barber fundou o Barber Vintage Motorsports Museum como uma fundação privada sem fins lucrativos, abrindo-o ao público em Birmingham, no Alabama, em 1995.
A sua filosofia era que as motos não eram apenas máquinas, mas obras de arte em movimento. Esta crença moldou uma coleção construída não só para exibição, mas também para preservação e operação.
Ao longo da década de 1990, a equipa Barber Racing competiu em eventos da American Historic Racing Motorcycle Association, conquistando sete campeonatos nacionais até 1998.
Isto reforçou a reputação do museu como um “museu vivo”, com muitas motos restauradas e prontas a correr. O reconhecimento internacional chegou em 1998, quando o Museu Solomon R. Guggenheim selecionou 21 motos da coleção para a sua marcante exposição “A Arte da Motocicleta”, reforçando a visão de Barber sobre as motos como arte tanto como engenharia.

Fotos Paulo Araújo
Em 2003, foi inaugurado o seu projeto mais ambicioso: o Barber Motorsports Park, com 356 hectares, completo com um circuito de 3,83 quilómetros e 16 curvas, desenvolvido com o contributo das lendas do automobilismo John Surtees e Dan Gurney e por onde atualmente passa o Campeonato MotoAmerica.
O complexo foi posteriormente expandido com o Barber Proving Grounds, acrescentando testes de fabricantes, formação em segurança e programas de marca ao seu portfólio.
Hoje, o museu alberga mais de 1.800 motos que abrangem mais de um século, com mais de 1.000 em exposição e mais de 200 fabricantes representados. Em 2014, foi oficialmente reconhecido pelo Guinness como a maior coleção de motos do mundo. E sim, tem lá uma Casal!
Ao lado das motos, encontra-se também a mais extensa coleção de todos os Lotus do mundo e importantes carros de corrida históricos, refletindo a dedicação de Barber ao desporto automóvel em todas as suas formas.
No ano passado, o museu e o parque receberam 368.000 visitantes, incluindo milhares de estrangeiros, concretizando a antiga ambição de Barber de utilizar o património do desporto automóvel para atrair pessoas a Birmingham.
Ao falar sobre o seu falecimento, o Diretor Executivo do Museu Barber, Brian Case, afirmou: “Todos os que visitam o museu e o parque têm a sua própria relação com o Sr. Barber… O que partilhamos agora é o impacto que ele teve nas nossas vidas e a responsabilidade que carregamos de honrar a sua visão, generosidade e crença no potencial deste lugar.”
Uma cerimónia em memória do falecido será realizada em data posterior. Por nós, pelo que representou na preservação do património mundial do motociclismo e não, só DEP.
















