Registo do nome causou intriga há uns meses sobre a que modelo seria atribuído
A misteriosa marca registada ‘Deadwood’ da Harley-Davidson destinava-se, afinal, a uma moto de produção, trazendo o estilo bobber clássico e um motor Milwaukee-Eight 117 para a gama Softail. Em maio, a Harley-Davidson deixou todos intrigados ao registar duas marcas desconhecidas: Deadwood e Low Bob. Na altura, todos apostavam que a primeira estaria associada a uma máquina com motor Revolution Max, enquanto a segunda se encaixaria algures na família Softail existente.

A Harley-Davidson Deadwood na estrada
Como se pode constatar, a Harley tinha outros planos. A recém-revelada Harley-Davidson Deadwood é, de facto, uma Softail, mas em vez de ser mais uma cruiser ou touring repleta de cromados, chega como uma bobber minimalista que parece inspirar-se bastante no estilo custom que a própria Harley ajudou a criar há décadas.
Infelizmente para os fãs da Europa, parece que só chegará aos EUA, sem qualquer menção à moto no site da H-D do Reino Unido. Equipada com o motor Milwaukee-Eight 117 Classic V-twin, a Deadwood utiliza o mesmo motor de 1.923 cc refrigerado a ar e a óleo encontrado noutros modelos da actual gama Big Twin. No entanto, a Harley afirma que o ajuste foi focado em oferecer um binário utilizável a baixas e médias rotações, em vez de procurar números de potência impressionantes. O resultado são 98 cv e 16,7 kgf.m de binário, números que deverão tornar a condução menos virada para os arranques em semáforos e mais para acelerar e aproveitar a força bruta.

A Harley-Davidson Deadwood em ação
Visualmente, a moto está entre uma Street Bob e uma Fat Bob que passou um longo inverno numa dieta rigorosa. Possui um banco individual, guarda-lamas curtos, jantes raiadas e um visual minimalista que elimina grande parte do volume visual frequentemente associado às Harley modernas. A postura baixa e a silhueta simples visam claramente explorar o crescente interesse por motos personalizadas de fábrica que parecem ter sido construídas num barracão, apesar de terem saído de uma linha de produção no Wisconsin. Apesar do estilo clássico, o pacote eletrónico é tudo menos tradicional. O ABS em curva, o controlo de tração sensível à inclinação, o controlo de deslizamento do binário de arrasto e a monitorização da pressão dos pneus são itens de série, enquanto os motociclistas também podem selecionar entre três modos de condução, dependendo do nível de intervenção que pretendem da rede de segurança eletrónica da moto.

A Harley-Davidson Deadwood a 3/4
O próprio nome é interessante. Deadwood, claro, é mais conhecida como a histórica cidade mineira do Dakota do Sul, localizada a poucas horas de Sturgis, tornando-se um nome tão Harley-Davidson quanto a empresa poderia ter escolhido sem simplesmente chamar à moto “Black Hills”. É exactamente o tipo de marca americana que a Harley faz melhor do que quase qualquer outra empresa no motociclismo.

A Harley-Davidson Deadwood em perfil
O lançamento também confirma que a recente atividade da Harley no que diz respeito às marcas registadas não foi meramente uma questão legal defensiva. Quando a empresa registou os nomes Deadwood e Low Bob no início deste ano, especificou as motos e as peças de motos como uso pretendido, sugerindo que os produtos reais estavam em desenvolvimento, e não meros acessórios ou artigos de estilo de vida. A Deadwood tornou-se agora o primeiro desses mistérios a ser resolvido, restando apenas a Low Bob como a incógnita. Resta saber se a Low Bob seguirá o mesmo caminho como mais um derivado da Softail ou como algo completamente diferente, mas, a julgar pela mais recente convenção de nomenclatura da Harley-Davidson, a subtileza provavelmente não terá lugar nos planos. Honestamente, porém, isto provavelmente não é mau para uma empresa que está a tentar relembrar ao mundo exatamente o que faz uma Harley ser uma Harley.
















