Indústria: Primeiro os biocombustíveis e só depois as elétricas

By on 27 Maio, 2022

Yoshihiro Hidaka, presidente da Yamaha Motor, garante que os motores de combustão interna vão continuar, mas com biocombustível no depósito.

A mudança de paradigma é enorme na transição para o elétrico, faltam infra-estruturas e haverá um período de transição energética ainda demorado, não faltando quem diga que marcas estabelecidas podem cair no esquecimento enquanto outras vão tomar o seu lugar. Porém, tão cedo os tradicionais postos de abastecimento não desaparecem… Entre as mudanças que temos para o futuro, uma das mais fortes possibilidades é a mudanças para a gasolina ecológica ou sintética,  uma solução pela qual a Porsche já optou. Na realidade, existem cerca de 1,3 biliões de veículos com motor de combustão interna no mundo, que não vão desaparecer da noite para o dia.

Yamaha e a gasolina ecológica

A marca do diapasão partilha a ideia de que devemos apostar na gasolina ecológica, pois garante que os combustíveis sintéticos vão chegar antes da eletrificação. O primeiro passo será na Ásia , onde a marca japonesa quer oferecer modelos capazes de rodar com gasolina biológica ou sintética. Isso ajudará a reduzir os níveis de CO² enquanto se espera que os veículos movidos a bateria (carros e motos) se tornem populares . Apesar da eletrificação ser imparável, grandes obstáculos ainda têm de ser superados, como o preço dos veículos, a autonomia limitada, os longos tempos de carregamento (um dos aspetos mais importantes) e a infraestrutura mínima nos postos de carregamento.

A Ducati segue um rumo semelhante… com a Porsche

E não é só a Yamaha que aposta nos combustíveis sintéticos. Francesco Milicia, membro do conselho de administração da Ducati, disse a propósito deste tema : “Estamos à procura de soluções, que nos permitam chegar a zero emissões ou reduzi-las ao máximo. Uma são os combustíveis sintéticos. Outras marcas do nosso grupo, como a Porsche, estão a investigar esse aspecto. É algo que também queremos ver a médio prazo.”

Os combustíveis sintéticos são produzidos sem o uso de petróleo. Isso inclui os chamados biocombustíveis, à base de bioetanol ou provenientes de biomassa . Quando queimados, eles produzem CO², mas não mais do que o que foi previamente extraído do meio ambiente. A Yamaha quer apostar nesta solução antes que as motos elétricas se tornem populares no mundo.

Solução provisória antes da eletrificação total

“Apesar de ter que se ajustar às novas homologações, o atual motor de combustão interna continuará a ser usado, embora com biocombustível no depósito”, disse Yoshihiro Hidaka, presidente da Yamaha Motor, em entrevista recente aos média japoneses. A marca já oferece motos no Brasil que funcionam com combustível com alto percentual de etanol. Uma estratégia que pretende implementar também na Índia e na Indonésia, dois dos maiores mercados mundiais.

80 por cento das vendas da Yamaha ocorrem na Ásia. A marca projeta oferecer mais de 10 modelos elétricos antes de 2024, mas Yoshihiro Hidaka garantiu: “Não temos pressa em oferecer todos os tipos de motos elétricas na Ásia. A falta de infraestruturas para isso vai nos obrigar a dar um passo intermédio que é o uso de combustíveis neutros em termos de meio ambiente ”.

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