Mototurismo – Explorando o Algarve profundo

By on 7 Março, 2019

Temperaturas amenas quase todo o ano, boas estradas, gastronomia justamente afamada, e a proverbial simpatia das suas gentes torna o nosso Algarve num destino de eleição… em duas rodas, ainda por cima, o contacto próximo com a natureza adiciona ainda mais um atrativo a todos os outros acima mencionados…

O Algarve é um conhecido destino de passeios moto-turísticos, pelas suas atrações óbvias, temperaturas amenas, gastronomia e acessibilidade… mas quantos se preocupam mesmo a conhecer as estradas do interior, que oferecem muito mais do que se poderia pensar? Aproveitámos uma organização local, a Secret Rides, guia de passeios moto-turísticos, que realizou há algum tempo um passeio aproveitando um dos vários percursos realizados na serra do Caldeirão. São Bartolomeu de Messines, na Serra Algarvia, foi o ponto escolhido para início e fim deste percurso de cerca de 200 km.

A saída de Messines ocorreu pelas 9:30 em direcção a Alte, parando para um café, e a oportunidade de admirar e tirar umas fotos às suas fontes, muito visitadas durante o período de verão, sendo mesmo de manhã a melhor hora para evitar a confusão. O percurso seguiu depois por Querença, já em plena subida e chegando à N2, virámos para sul para apanhar a N270 em São Brás de Alportel.

Nesta etapa mais rolante, em bom alcatrão, seguimos as placas para Tavira, para fazer outra paragem nas margens do Gilão. Agora, é altura de começar a tornar o passeio mais interessante. Tomamos a N397 e rumamos ao Cachopo, por uma estrada que, apesar de sinuosa, não permite muitas aventuras devido ao seu piso bastante polido, que requer toda a atenção, mas a paisagem facilmente faz esquecer isso.

Chegados ao Cachopo, uma aldeia parada no tempo em todos os aspectos, é hora do almoço num restaurante local. Aqui ainda se podem escolher sítios que dão aquela sensação de ir comer a casa da avó, com os pratos encomendados de véspera, em vista do tamanho do grupo e para garantir a experiência mais caseira possível. Já retemperados, montamos de novo e segue-se uma breve paragem para visitar a Fonte Férrea do Cachopo, um parque de merendas muito agradável com grelhadores, WC e até piscina à disposição.

Baterias recarregadas é hora de seguir viagem pela N124 em direcção a Barranco do Velho. Aqui, a excelência da N124 já permite limpar os pneus nas curvas alongadas a velocidades médias e pôr um sorriso nos lábios dos mais afoitos. Esta parte do passeio com um andamento mais animado, fez com que o grupo se dividisse entre os mais rápidos e os que preferiam uma toada mais calma e prosseguiu mesmo depois de intercetarmos de novo a N2, onde reagrupámos e seguimos para norte.

Disfrutar a N2 é algo que qualquer motociclista que se preze já fez, ou devia ter  nos planos fazer, mas o nosso objectivo é mostrar que há muito mais que isso, por isso mesmo na zona do Ameixial viramos à esquerda e mergulhamos num Algarve puro e quase esquecido.

As estradas são ótimas, aparte algum estradão de algumas centenas de metros para atalhar e dar aquele gostinho de aventura, mas a paisagem não permite andar rápido pois é surpreendente a cada curva e as palavras não são suficientes para descrever esta parte da experiência, que inclui uma passagem pela Califórnia… sim, leu bem, leitor, Califórnia.

A tarde vai avançada e estamos de novo no nosso ponto de partida em São Bartolomeu de Messines. Daqui, desta feita tomamos a direcção de Amorosa, para chegar à barragem do Arade pela porta das traseiras…

É a última paragem para trocar impressões, todos com um sorriso nos lábios pelo dia bem passado, que nem mesmo algumas gotas de chuva nos últimos quilómetros conseguiram apagar… Ficam já planos para fazer o próximo ainda mais empolgante!

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