Vamos pela idade ou pela condição aparente?
Notem que esta questão surge com bastante frequência em conversas de motards, e parece haver várias filosofias e muitas opiniões contraditórias. Algumas pessoas dizem para trocar o capacete a cada cinco anos, independentemente de qualquer coisa, enquanto outras continuam a usar o mesmo durante 10 anos.

A grande divisória Na verdade, não há uma resposta linear sobre a duração dum capacete, antes, depende de vários fatores: O primeiro é uma grande linha divisória entre policarbonato e fibra/compósitos.
Um capacete de policarbonato (vulgo, plástico) é sensível aos raios UV do sol e a calota vai ressequindo, sem que qualquer dano aparente seja visível a olho nu. Também pode reagir a diluentes, pelo que não deve ser pintado. Colocaria 6 anos como uma vida teórica máxima neste caso.
Já um capacete de fibra ou compósitos de fibra de carbono não tem vida teórica, e pode durar décadas, sendo a condição dos periféricos como a viseira ou fivela mais importante que a da calota.
Em ambos, o grande sinal vermelho é se o capacete já sofreu algum acidente. Para compreender isso, é preciso entender o que cada componente faz: A calota exterior protege de perfurações, impactos contra objetos contundentes ou frição a alta velocidade. Mas o que protege o cérebro de impactos é o forro interior de EPS ou polistireno expandido (vulgo esferovite) que absorve pancadas. Este só se comprime uma vez e, portanto, perde parte da capacidade de absorção após um impacto.

Confusão legítima Daqui advém uma das maiores confusões; se devemos substituir um capacete por ele ter caído ao chão. Quando o capacete cai ao chão vazio (i.e., sem uma cabeça dentro!), não houve compressão do interior, portanto, a menos que tenha sido de uma grande altura ou mostre uma racha na calota, está perfeitamente bem. Estas são as grandes considerações a ter, que depois são afetadas por variáveis, que passamos a enumerar:
Desde logo, com que frequência se anda com o capacete. Em uso diário, um capacete começa a mostrar desgaste após dois anos, por muito bom que seja. Quando temos vários e os tiramos da prateleira, onde estavam guardados no saco, de dois em dois meses para um passeio, a história é outra, muito diferente… Depois, a forma como é armazenado também é muito importante (o calor e os raios UV podem acelerar o desgaste).
Se o forro interior está comprimido ou ressequido e o capacete está largo e já não se ajusta corretamente é uma das considerações mais importantes.

Uma coisa em que a maioria dos motociclistas concorda é que, se o seu capacete sofreu um impacto significativo, está na altura de o trocar — mesmo que pareça estar em bom estado por fora. O forro EPS pode ser danificado internamente sem fissuras visíveis. Depois, a condição do fecho, correia e fivela e, claro, da viseira. Uma viseira riscada é um perigo por diminuir a tão preciosa visibilidade, especialmente quando leva com o sol de frente de repente e se resume a uma explosão de riscos que nos cegam momentaneamente.
Há alguns hábitos que também parecem ajudar a prolongar a vida útil de um capacete: Guarde-o num local fresco e seco. Mantenha o exterior polido (spray dos móveis é ideal). Limpe o forro e a viseira regularmente. Não o deixe exposto ao calor dentro de um carro ou pendurado no guiador. Verifique a correia de queixo e o mecanismo da viseira de vez em quando, que pode ser lubrificado com um bocadinho de silicone.
Pessoalmente, acho que o ajuste é tão importante como a idade. Um capacete folgado porque o acolchoamento está gasto, provavelmente não oferece a mesma proteção que antes.
E quanto a vocês? Com que frequência trocam de capacete? Alguma vez trocaram um simplesmente por o ter deixado cair? Seguem a recomendação dos 5 anos ou baseiam-se na condição do capacete?















