Motos que ‘não pegaram’ mas são basicamente excelentes

Por vezes, é impossível dizer por que um modelo falha no mercado, enquanto outros vendem bem. Podem ter sido motos que não encaixavam num segmento convencional, ou lhes falta algum brilho, falhando em capturar o olho do público justamente por serem boas a tudo, sem ser excecionais a nada… juntámos 6 exemplos que, não sendo fáceis de encontrar, justamente por se terem vendido poucas, podem ser pechinchas…

6 – Honda DN01
Esta é fácil de perceber porque foi um insucesso de vendas, coisa rara para a marca do H alado: Muito cara para scooter, pouco empolgante como moto, e com uma caixa automática 15 anos à frente do seu tempo que ainda não era vista como uma vantagem… Lançada em 2008, a DN-01 era construída à volta dum motor bicilíndrico em V semelhante ao das Deauville ou Transalp, mas acoplado a uma caixa automática.

Não era uma scooter, antes uma moto com uma posição de condução ereta e relaxante, assento baixo, proteção aerodinâmica, bons consumos, suavidade suprema e bom espaço de bagagem.

Infelizmente, a estética era estranha, o preço de 14.000 € parecia astronómico na altura e vendeu muito pouco… Agora, quando se consegue encontrar um exemplar, costuma ser por volta dos 7.000 €, e é um achado que começa a ter estatuto de coleção!

5 – Suzuki B-King
Pegar no estupendo motor da Hayabusa num formato de 1340 cc e colocá-lo numa naked para fazer o último grito em ‘muscle bikes’ deve ter parecido uma boa ideia à Suzuki em 2008… mas uma vez mais, apesar dos 181 cv e do binário impressionante, bom conforto e prestações de cortar a respiração, foi mais uma que não era nem carne nem peixe e com a sua estética angular algo estranha, falhou comercialmente.

Hoje, apesar de haver poucas em Portugal, e dado que o desempenho continua atual e o motor não dá motivos para preocupações, podem-se encontrar entre 7.000 e 9.000 €

4 – BMW F800 ST
Tudo nesta moto é excelente, exceto que acabou por ser uma BMW para quem não gosta de BMW’s… aparecida em 2006, nem tinha a leveza e simplicidade das mais pequenas 650, nem a imponência das grandes aventureiras procuradas por quem busca o ‘status’ da marca, mais do que transporte…

No entanto, o motor de 798cc e 86 cv movia-a a bom ritmo sem problemas, o chassis era duma compostura exemplar, e a transmissão por correia torna-a (ainda) mais suave e silenciosa que outras BMW e ajuda ao conforto em longas distâncias tão típico da marca.

Os consumos são ridículos, dentro dos 4l aos 100, e a combinação de conforto, ergonomia perfeita, e leveza, com menos de 200 Kg, fazem dela uma verdadeira Sports Tourer, só que pelos vistos, poucos repararam nisso. Quem quiser corrigir o erro, só precisa de encontrar um dos raros exemplares que aparecem pelos 7.000 €

3 – Ducati Multistrada 1000DS
Saída em 2006 do sonho de um estilista sul-africano um pouco louco chamado Pierre Terblanche, esta Multistrada antecipou o segmento das Aventuras, mas com uma estética estranha em que metade da carenagem parecia rodar com o guiador e a outra metade era fixa.

Junte-se a isso ser uma Ducati da fase em que as eletrónicas ainda tinham fama, por essa altura já injustificada, de pouco fiáveis, e mesmo com o habitual comportamento impecável em estrada e uns bons 84 cv do seu motor em L de 992 cc, o preço sempre algo premium da marca fez o resto e temos outro fiasco comercial… Agora, encontra-se uma ou outra (e nem sempre vermelhas!) por volta dos 5.500 €.

2 – Honda CBF1000
Enquanto a sua irmã de estábulo de 600cc vendeu bem, a 1000 de 2006 passou um bocado ao lado: Lá está, a capacidade das Honda de fazer tudo bem sem ser excecional em nada, com o seu tetracilíndrico em linha de 998 cc para 105 cv e quadro em aço, não tinha os argumentos tecnológicos nem o glamour das CBR, dotada ainda de instrumentos analógicos (embora já com chave HISS anti-roubo) mas tinha o preço mais elevado, e era um modelo um bocado cinzento (tanto literal como figurativamente).

Agora, embora raro, mas carregando a proverbial fiabilidade Honda, pode-se encontrar por menos de 5.000 €, não raro com malas adicionadas pelo dono anterior, evidenciando o seu papel de eleição como uma tourer capaz sem complicações.

1 – Yamaha XJ6 / Diversion
Quando a Diversion original foi lançada, com os argumentos de simplicidade do seu motor 4 em linha de 599 cc refrigerado a ar, o mercado era outro, mais básico. Isso fez com que, quando esta modernizada segunda versão apareceu em 2009, mesmo com os seus 78 cavalos e chassis descomplicado, desdobrada em versões carenada ou naked, nunca saísse dum nível em que era vista como uma moto, ou para iniciados, ou para idosos.

Embora a fiabilidade e qualidade de construção nunca estivessem em causa e pudesse oferecer sensações duma desportiva aos menos exigentes por um preço de combate, venderam-se poucas e agora podem ser uma escolha acertada quando se encontram em condição impecável, o que é raro, daí a vasta gama de preços, dependendo do ano, entre os 2.000 e os 5.000 €.
















