Que motos andam bem, fazem tudo e duram (quase) para sempre?
No mercado há motos para todos os gostos: Pequenas citadinas para o dia a dia, médias cilindradas práticas e fiáveis, trails sem medo de se meterem à terra, exóticas caríssimas para aqueles sábados de sol, superdesportivas capazes de velocidades assustadoras, ou viajantes equipadas que só falta levarem o lava-louças atrás… mas quais são as mais práticas, fáceis e económicas de manter? De muitas possibilidades populares em Portugal, aqui ficam 10 que estão entre as melhores…

10 – Honda Rebel CMX500 – 2017 ao presente
Um pacote acessível, quer pela reduzida altura do banco, quer pela facilidade de condução do conjunto de 190 Kg. Porém, o que faz a Rebel tão boa além da condução relaxante e do conforto geral dado também pela boa posição de condução, é o mais que provado bicilíndrico Honda, usado em vários modelos e capaz de quilometragens consideráveis sem problemas ou avarias.

São 471 cc e cerca de 46 cv com custos de manutenção muito reduzidos, em vista da fiabilidade básica do popular modelo, situado algures entre uma ‘custom’ e uma naked, que novo custa 6.490€ e, portanto, se encontra facilmente usado na casa dos 4.500 €.

9 – Triumph Street Twin 900 – 2016 a 2022
Se um clássico que oferece todos os avanços modernos como travagem por disco, injeção eletrónica EFI e ABS vos atrai, esta Bonneville pode ser a vossa escolha acertada. O modelo, agora descontinuado, mas vendido de 2016 a 2022, é equipado com um bicilíndrico paralelo de 900cc com cerca de 65 cv (ou 55 até 2018) mas imenso binário.

Como todas as Triumph da moderna gama, tem-se provado duma fiabilidade a toda a prova, oferecendo uma condução sem vibrações ou exigências particulares da caixa de 5 velocidades. Em 2019 a segunda geração recebeu acelerador ride-by-wire com modos de condução road e rain e controlo de tração. O preço varia entre os 6.700 e os 9.000 €

8 – Aprilia Pegaso 650 – 2005 – 2008
Na verdade uma irmã da BMW F650, com a qual partilha o motor na altura de origem Rotax, a Aprilia é mais leve e mais desportiva que a alemã. Agora um pouco esquecida, a Pegaso chegou a ter seguidores fiéis com clube próprio e a sua versatilidade e a fiabilidade do motor de 652 cc eram lendárias… para um monocilíndrico de 349cc e cerca de 52 cv.

Peso reduzido de cerca de 180 Kg e depósito de 21 litros a dar boa autonomia faziam o resto, embora o consumo não seja espetacular, podendo chegar aos 7 litros aos 100… Sendo motos que recuam, aos anos 90, pode-se conseguir uma por volta de 1.200 € e até menos, com exemplares mais recentes a ir por cerca de 2.300 €.

7 – Suzuki SV650 – 1999 ao presente
Se a lógica ditasse mais que as emoções, seria um enorme sucesso de vendas… Infelizmente, nunca foi um modelo ‘da moda’ em Portugal, pelo que pode não ser fácil encontrar uma das poucas unidades vendidas entre 2000 e 2024. Até se encontra uma ou outra nova nos concessionários ainda, por volta dos 6.900 €, e o modelo foi agora renovado com a SV-7GX, que no entanto, custa 8.749 €.

Passível de conversão para a carta A2, o motor de 645 cv e cerca de 75 cv é duma elasticidade muito agradável, sendo também económico, muito fiável e barato de manter. Aliar isso a um peso baixo, boa posição de condução e a sensação única dum motor em V são bons argumentos, além do preço usado que pode oscilar entre os 2.500 € e os 4.900 € dependendo do ano e da condição.

6 – Yamaha XV250 Virago – 1988 – 2007
A quarto de litro de uma linhagem extensa de modelos, da qual só algumas cilindradas vieram para Portugal, a pequena Virago marca pontos em leveza, facilidade de condução e economia ao mesmo tempo que oferece estilo de ‘custom’ grande. O bicilíndrico em V de 249cc e 21 cv é arrefecido a ar, simples de manter e muito durável, antecedendo as complicações de injeções, controles eletrónicos ou ABS.

Comercializada entre 1988 e 2007, há bastantes exemplares por aí, mas muitos foram sujeitos a ‘personalizadores’ com mais ilusões do que bom gosto. Esperem pagar cerca de 800 € a 2000 € dependendo do ano e condição.

5 – Honda Pan European – 1990 a 2016
Dividida em duas gerações, a ST1100 de 1990 a 2002 e a ST1300 até 2016, a sua capacidade para acumular Km e Km de estrada sem qualquer problema deu-lhe fama de indestrutível, com casos de exemplares com mais de um quarto de milhão de Km bastante comuns. A original contava com um V4 montado transversalmente de 1.085cc e cerca de 100 cv e um dos pontos fortes para viagens era o depósito de 28 litros.

Em 2002 saiu a ST1300 de 1.261 cc já com EFI, e 117 cv. Em nome da leveza, pois chegara aos 320 kg, o quadro passou a ser de alumínio e o vidro é elétrico. A primeira geração encontra-se por cerca de 3.000 €, esperem pagar até 8.000 € pela segunda geração, que por vezes desenvolvia um abanar a alta velocidade quando a carga era mal distribuída…

4- Yamaha XSR700 – 2022 ao presente
Classe retro com capacidade estradista atual é só parte da história da XSR700, que vem equipada com o superlativo e indestrutível motor CP2 de 689 cc de cerca de 75 cavalos, que lhe dá excelente capacidade de resposta, prestações vivas e uma sensação única devido à sua cambota desfasada a 270º.

O modelo sai desde 2022 e ainda está na gama Yamaha por 8.695 € novo, sendo exemplares usados tipicamente encontrados entre os 5.800 e os 7.000 €. A rede Yamaha assegura peças e manutenção a preços razoáveis e a fiabilidade do modelo tem sido a toda a prova.

3 – Royal Enfield Classic 350 – 1957 (!) ao presente
A Royal Enfield fabricada na Índia sempre ofereceu acesso ao motociclismo a baixo preço, em troca de prestações modestas e acabamentos algo rudimentares. À medida que a exportação se tornou um caso sério, a marca soube melhorar alguns aspetos menos positivos, como a travagem e a suspensão, que se aliaram à fiabilidade do motor monocilíndrico de 349 cc e 20 cv para aumentar o apelo do modelo.

Ninguém pode negar o encanto da estética e ‘old world charm’ nos modelos de duas cores. Juntem a isso um preço nova na região dos 4.887 €, que permite encontrar exemplares usados na casa dos 3.000 euros e temos um pacote económico, divertido e estiloso.

2 – Yamaha MT07 – 2014 ao presente
Outro modelo equipado com o motor CP2 de 689 cc e 75 cavalos, que lhe confere resposta viva, comportamento desportivo invulgar numa naked e grande popularidade. A ciclística também permite condução mais normalmente associada a uma desportiva, granjeando-lhe uma ampla gama de admiradores.

Lançada em 2014, têm aguentado bem o valor, pelo que ainda não há modelos muito baratos no mercado, mas venderam-se literalmente centenas, pelo que só há que evitar aquelas que exibam traços de ter sido abusadas por um ‘piloto de domingo’. Também há versões de 35kW para a Carta A2, ideais para principiantes. Esperam pagar entre 5.000 e 6.500 € por um bom exemplar.

1 – Honda VFR750F – 1986 – 1996
Considerada por muitos a melhor moto do mundo pela sua combinação de fiabilidade, estilo e sensação sedosa do poderoso V4 de 749 cc e cerca de 100 cavalos, desdobra-se entre 1986 e 1996 nas suas várias gerações. A original, de duplo braço oscilante e 107 cv, está quase a atingir status de coleção e quando impecável, custa mais que as mais modernas. Na prática, a geração a ter para uso diário é a RC36 2 de 1994, a última 750, pois a estética foi atualizada, ainda hoje parecendo atual, e as anteriores eram mais pesadas e, fruto dos carburadores Keihin CV maiores, gastavam mais.

O único senão destas motos, além de travagem um pouco fraca, mas que melhora com tubos de malha de aço, são os rectificadores, que falham regularmente, sendo os originais da Honda caríssimos e alternativas chinesas baratas de pouca duração. Como em tudo, no meio está a virtude… Atualmente, um exemplar limpo sai pelos 3.000 € /3.600 €, sendo os Km rodados irrelevantes desde que a manutenção não tenha sido descurada.
















