Uma questão de estratégia e uma série de cuidados a ter

Gerir a fadiga numa viagem de moto não é apenas uma questão de resistência física, mas também de estratégia. Aqui ficam algumas dicas para se manter alerta.
Chega um momento durante qualquer longa viagem de moto em que conduzir deixa de ser um prazer e passa a ser um fardo. Os ombros entorpecem, as costas doem, a viseira parece suja mesmo quando está limpa e os seus reflexos começam a ficar mais lentos.
Gerir a fadiga não é apenas uma questão de resistência física, mas também de estratégia mental. Veja como se manter alerta do primeiro ao último quilómetro.

1 – Ruído e Vento: Os Principais Inimigos
Pensamos frequentemente que a nossa posição de condução é o que nos cansa. Na realidade, dois dos principais responsáveis são o ruído da deslocação de ar e a pressão aerodinâmica. O rugido constante do motor e o ruído do vento no interior do capacete sobrecarregam o sistema nervoso. O cérebro trabalha constantemente para “filtrar” este ruído, esgotando as nossas reservas mentais. Conselho prático: Use protetores auriculares concebidos especificamente para motociclos. Reduzem as frequências nocivas sem bloquear o ruído ambiente. Chegará ao seu destino com a mente muito mais descansada.

2 – A hidratação é essencial
A desidratação é a principal inimiga da concentração. Quando sente sede, já está “na reserva”. Uma perda de líquidos de apenas 2% do seu peso corporal pode reduzir drasticamente a sua velocidade de reação. O que evitar: Café em excesso. A cafeína dá um impulso imediato, mas provoca uma queda subsequente e acelera a desidratação. A estratégia: Beba pequenos goles de água ou sais minerais em cada paragem, mesmo que não sinta necessidade. Se viaja muito no verão, considere comprar uma mochila de hidratação (Camelbak).
3 – Dieta: Nada de banquetes
Um almoço reforçado com especialidades locais é o sonho de qualquer motociclista, mas acaba com a confiança da tarde. A digestão leva o sangue ao sistema digestivo, privando o cérebro de irrigação. A regra de ouro: Coma pouco e com frequência. Opte por hidratos de carbono complexos de baixo índice glicémico e proteínas leves. É melhor guardar a feijoada para o jantar no hotel!

4 – Microalongamento: Manutenção do Piloto
Durante as paragens para abastecer, não fique apenas a olhar para a bomba de gasolina. Três minutos de exercícios específicos são suficientes para revitalizar o corpo: pés e pernas: Faça agachamentos lentos para alongar os flexores da anca, que ficam comprimidos pela posição sentada. Pescoço: Faça rotações muito lentas, evitando movimentos bruscos. Punhos: Estenda os braços para a frente e mova os dedos para cima e para baixo para aliviar a tensão causada pelos cliques da embraiagem e do travão.

5 – A “Janela de Vigilância”
Aprenda a reconhecer os seus ritmos. A maioria dos acidentes relacionados com a fadiga ocorre nos últimos 50 km da viagem ou ao início da tarde (queda de energia pós-prandial). Tenha atenção aos sinais: Se começar a perder o controlo da mudança, falhar uma curva ou ficar a olhar fixamente para a bagageira do carro da frente (fixação do olhar), pare imediatamente.
O poder de uma sesta revigorante: Se se sentir extremamente cansado, uma pausa de 15 minutos com os olhos fechados à sombra pode fazer maravilhas, mais do que qualquer bebida energética que apenas desidrata.
















