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Contacto | BENDA Chinchilla 500 / Napoleon Bob 500 / LFC 700 | Dose tripla de estilo

Domingos Janeiro por Domingos Janeiro
29 Março, 2026
em Destaque Homepage, Ensaios
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Contacto | BENDA Chinchilla 500 / Napoleon Bob 500 / LFC 700 | Dose tripla de estilo
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A asiática Benda é uma das mais recentes apostas do Grupo Multimoto para o mercado nacional. A estreia faz-se através de três modelos, dois que partilham da mesma plataforma, a Chinchilla e a Napoleon Bob e a exótica LFC, que mais parece uma moto desenhada ao pormenor para ser o veículo oficial de um qualquer super herói. Não é só “mais” uma marca chinesa, é uma marca que acrescenta muito valor ao mercado pelos modelos diferenciadores

por Domingos Janeiro • Fotos Rui Jorge

Quando ouvimos falar em novas marcas chinesas que chegam ao mercado nacional, por norma pensamos “aí vem mais do mesmo…”, mas com a Benda não é bem assim. A verdade é que estamos perante uma marca quer marca precisamente pela diferença, não só de modelos mas também de tecnologia, já que tem fábrica própria de motores que vão desde as mais acessíveis oitavo-de-litro, até motores com 2000 cc de capacidade e com diversas arquiteturas: três cilindros em linha, quatro cilindros em linha, seis cilindros, dois cilindros em V e quatro cilindros em V… todas estas opções por vezes apresentadas sob as formas mais inesperadas, como é o caso de uma 500 cc com motor V4, por exemplo. Mas esta chegada é, na verdade, um regresso ao mercado nacional, já que por cá esteve há alguns anos, tendo depois “desaparecido” para regressar agora em força pelas mãos da Multimoto, empresa pertencente ao Grupo Salvador Caetano.

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Fundada em 2016, e distribuída para grande parte dos Continentes pelas mãos de outro colosso, o Keeway Group, a Benda sempre teve bem claro de que não queria ser apenas mais uma e desde logo definiu um objetivo bem claro, tornar-se conhecida mundialmente pela estética atraente e soluções técnicas e tecnológicas que ofereçam mais que um simples meio de transporte, uma autêntica experiência. Para isso conta com gabinetes de desenvolvimento, pesquisa e design dentro e fora da Europa, para que em conjunto o processo de criação seja o mais alargado e avançado possível. O caso da LFC é exemplo perfeito disso! A cereja no topo do bolo é o recurso a componentes de qualidade para acentuar a qualidade dos seus modelos, com componentes de marcas tão distintas como a Bosch, Brembo, Maxxis, Delphi ou Continental.
Embora com uma vasta gama de modelos no seu portefólio, em Portugal a Benda “aterra” com três propostas bem distintas entre elas mas também bastante diferentes do que já temos disponível no mercado: a Chinchilla, uma cruiser de 500 cc, a Napoleon Bob 500 que partilha a mesma base que a Chinchilla e a LFC 700 que conquistou o prémio internacional “Red Dot Design Award” atribuído em 2024 pelo design e engenharia disruptivas.
Para conhecer este “trio maravilha” a Multimoto convidou a imprensa nacional para um dia intenso e preparado para nos proporcionar um primeiro contacto com todos os modelos. Entre Oeiras, Cascais e Sintra, percorremos uma grande variedade de cenários para podermos descobrir os primeiros “prós” e “contras” de cada um dos modelos. No final do dia, fiquei com uma ideia muito clara sobre o modelo mais completo e equilibrado do trio, conseguem antecipar qual terá sido?

BENDA CHINCHILLA 500
O estilo cruiser é muito acarinhado no nosso mercado e o sucesso de modelos como a Honda Rebel 500, Kawasaki Eliminator 500, Macbor Rockster 410 ou CFMOTO CL-C são prova disso mesmo. No entanto, a Chinchilla 500 apresenta-se com grandes diferenças e pormenores que não são comuns no segmento, como por exemplo o equipamento de série ou o largo pneu dianteiro 150/80-16”, que é quase da largura do traseiro (180/65-16”). Além disso o nível dos acabamentos integra-se na perfeição nas dimensões compactas do conjunto e fazem a diferença no segmento. Na ciclistica encontramos um sistema de travagem a cargo de um disco dianteiro de 320 mm e outro traseiro de 260 mm. Já o conjunto de suspensões está a cargo de uma forquilha invertida na frente e dois amortecedores traseiros.

A iluminação é LED, o depósito de combustível tem capacidade para 16 litros e o painel de instrumentos é um TFT redondo (que poderia ter a opção de regulação do ângulo para melhorar a visibilidade da informação) com toda a informação que necessitamos. A ergonomia leva-nos a conduzir com pernas e braços lançados para a frente mas sem que isso penalize o conforto. Embora de dimensões contidas, consegue albergar de forma cómoda utilizadores de qualquer estatura. O assento do condutor é amplo e confortável e está a apenas 705 mm do solo. Já o espaço para o passageiro é mais reduzido, mas ainda assim com conforto suficiente para viajar.

O motor, partilhado com a Napoleon Bob, é um dois cilindros em V, com 475 cc, 47 cv de potência às 9000 rpm e um binário de 42 Nm às 7200 rpm. A caixa de seis velocidades está bem escalonada.
Em termos práticos, esta Chinchilla 500 é o modelo mais equilibrado das três aqui presentes! Uma ciclística confortável, amigável e permissiva, que nos tolera grande parte dos erros. Não apresenta vibrações em demasia e a postura de condução é confortável. Muito leve e equilibrada, faz sobressair o carácter do motor que é forte em qualquer faixa de utilização. O consumo ronda os 5,5 litros sem nenhum tipo de cuidado, podendo ser reduzido em grande medida. Além disso, somos acompanhados por uma melodia encorpada, cortesia do escape duplo sobreposto. Os ângulos de inclinação não são os maiores mas permite-nos rodar a ritmos alegres e soltos mesmo em estradas mais reviradas. A transmissão é por correia, temos tomada USB e USB-C, controlo de tração desligável e ABS.

NAPOLEON BOB 500
Este modelo é um autêntico exercício de estilo. Não absolutamente nada de menos positivo que possamos apontar à Bob, que personifica no sentido mais fiel o clássico estilo bobber, que ainda hoje continua a ser muito apreciado mas que poucas marcas têm nos seus portefólios. E se baixarmos nas cilindradas pouco ou nada encontramos dentro deste segmento. Também aqui, a Benda a fazer a diferença. Embora o motor seja precisamente o mesmo que na Chinchilla, neste caso notámos que a entrega de potência era mais brusca, cortesia da injecção.

De resto, tudo igual, tal como no capítulo da eletrónica. O que altera além da estética, é a postura de condução que nos leva a conduzir ainda mais deitados sobre o depósito de combustível e claramente menos confortável que na Chinchilla. As suspensões também são diferentes, esta com uma forquilha convencional na frente adornada com umas espetaculares tampas de plástico que dão um acabamento realmente único, digno de uma moto customizada. Atrás temos um mono-amortecedor ajustável na pré-carga e que em conjunto com a forquilha dianteira aporta um comportamento diferente face à irmã 500. Um comportamento não tão estável e até algo firme.

Além dos acabamentos muito bem cuidados, temos que referir que a Bob é uma moto homologada apenas para um ocupante e daí estar equipada de série com apenas um assento, estilo sela de cavalo flutuante sobre a roda traseira. A curvar é também muito estável mas não tolera abusos porque, tal como na Chinchilla, se provocamos demasiado os ângulos de inclinação, corremos o risco de tocar com o quadro de tubos de aço no chão, o que pode ser muito perigoso.
Se procuram algo de distinto, acessível à carta A2 e para desfrutarem a “solo” esta é sem dúvida uma séria opção a ter em consideração. Destaque ainda para o bonito contraste da cor negra com os diversos componentes em dourado. Muito elegante.

A EXÓTICA LFC 700
Se a vossa vontade é ter algo de verdadeiramente distinto, esqueçam tudo o que conhecem e conheçam melhor esta proposta. Arrisco mesmo dizer que no mercado, atualmente, há apenas um modelo capaz de rivalizar com esta LFC em termos de design, falo da Ducati Xdiavel, sendo que esta custa sensivelmente duas vezes mais que a LFC. Se pretendem dar nas vistas, estão perante a moto certa, que transforma qualquer um de nós num autêntico super-herói. Mas será que a ciclística e desempenho acompanham esta exclusividade? Digamos que acompanham o exotismo do conjunto… A estética é o que realmente faz destacar a LFC 700 e todos os pormenores contam para atingir este nível único de exclusividade. O quadro de alumínio apresenta um acabamento distinto e rugoso que se estende até ao braço oscilante passando a ideia de que é uma peça única. Na lateral direita destaca-se o fantástico silenciador com quatro saídas colocado por baixo do motor de quatro cilindros em linha, de 676,9 cc, com 84,4 cv de potência às 10 300 rpm e um binário de 60,8 Nm às 8600 rpm.

Na frente o destaque recai sobre a enorme conduta de admissão de ar que parece uma turbina de um avião, e ainda as duas entradas laterais de ar com os LED diurnos incluídos. O assento é amplo e plano para ambos os passageiros e a postura de condução é algo extrema porque nos obriga a rodar de pés e braços lançados para a frente, deitados sobre o depósito de 17 litros de combustível. O conjunto de suspensões oferece-nos uma forquilha invertida de Ø43 mm da KYB totalmente ajustável e um amortecedor traseiro KYB também ajustável. A exclusividade avança para a travagem onde nos servimos de dois discos de 320 mm com pinças radiais Brembo de quatro pistões e ABS em curva, e um disco de 260 mm atrás, também ABS. Em termos tecnológicos temos modos selecionáveis de entrega de potência, controlo de tração e ABS em curva. O painel de instrumentos é um TFT de 5” com toda a informação que necessitamos. Temos ainda tomada USB.

Agora, o que o nosso querido leitor está à espera: o enorme pneu de 310 mm instalado na traseira! É verdade, todo o conjunto foi desenvolvido em torno deste “pequeno grande” pormenor. Não há nenhuma moto de série com esta medida e confesso que o máximo de largura de pneu traseiro que havia testado numa moto foi um 240 mm… Esta é uma medida altamente exclusiva, usada pelos customizadores em algumas das suas criações, mas que requer profundas alterações nas motos para o conseguir albergar… neste caso, o resto da moto foi desenvolvido a partir desta premissa. Mas o que tem de impactante a nível estético tem de especial, já que são poucas as marcas de borrachas que disponibilizam este tamanho, como a Avon e a King Tyre, que assina este pneu desenvolvido em específico para a Benda. Na prática, a rolar não notamos grandes dificuldades em curvar e somos apenas limitados pela reduzida altura dos pousa-pés ao solo, numa altura em que, como devem calcular, ainda temos um dedo de borracha de sobra em cada lado para curvar.

Cuidados são necessários ter quando rodamos a baixa velocidade porque o pneu traseiro parece um carril e quando queremos inclinar um pouco, se ela apanha uma irregularidade, uma pedra, pau ou buraco, tende em endireitar e empurrar-nos em frente… apenas a baixa velocidade, note-se. Além disso, preparem-se para pagar quase quatro pneus normais quando tiverem que mudar o 310! O que vale é que o binário é contido e não nos penaliza nos arranques estilo “dragster” dos semáforos! Toda uma nova experiência!
Já o motor também parece não casar com todo o aspecto desta sport-cruiser! Temos som de moto desportiva, mas num colosso destes que pesa uns módicos 287 kg a seco. O que vale é que a altura do assento ao solo é de apenas 700 mm que nos dá total confiança. O motor, cujo caracter pode ser ajustado mediante os modos de entrega de potência, apresenta dois caracteres: se rodarmos a baixa rotação, em pouco espaço conseguimos meter até sexta velocidade, com um forte binário, mas se quisermos esticar as mudanças, estas mostra-se extremamente longas e não muito rápidas. Uma vez mais, tudo uma nova experiência!

CONCLUSÃO
O que a Benda nos mostra através destes que são os primeiros modelos a compor a nova gama disponível para Portugal são motos que acrescentam real valor ao mercado com acabamentos de encher o olho, ciclísticas cumpridoras e equipamento de topo com design arrojado e, o melhor de tudo, com preços irresistíveis: a Chinchilla aponta aos 6190€, a Napoleon Bob aos 6490€ e a LFC aos 10 990€. Todas já estão disponíveis nos concessionários.

Ficha técnica BENDA LFC 700
Motor Tetracilíndrico em linha, refrigerado por líquido
Distribuição DOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada 677 cc
Potência Máxima 84,4 cv às 10 300 rpm
Binário Máximo 60,8 Nm às 8600 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Caixa 6 velocidades
Final Por correia
Quadro Dupla trave em alumínio
Suspensão Dianteira Forquilha invertida KYB Ø43 mm, ajustável, curso 100 mm
Suspensão Traseira Amortecedor KYB ajustável na pré-carga, curso 35 mm
Travão Dianteiro Dois discos de 320 mm, pinça Brembo de 4 pistões, ABS
Travão Traseiro Disco de 260 mm, pinça de 2 pistões, ABS
Pneu Dianteiro 130/70-19”
Pneu Traseiro 310/35-18”
Altura do Assento 700 mm
Distância entre eixos 1720 mm
Depósito 17 litros
Peso (a seco) 287 kg
Cores Preto
Garantia 3 anos
Importador Multimoto Motor
PVP 10.990€

PONTUAÇÃO BENDA LFC 700
Estética 4,5
Prestações 3,5
Comportamento 3,5
Suspensões 4
Travões 3,5
Consumo 3,5
Preço 4

Ficha técnica BENDA CHINCHILLA 500 /NAPOLEON BOB 500
Motor Bicilíndrico em V, refrigerado por líquido
Distribuição SOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada 475 cc
Potência Máxima 47 cv às 9000 rpm
Binário Máximo 42 Nm às 7200 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Caixa 6 velocidades
Final Por correia
Quadro Estrutura tubular em aço
Suspensão Dianteira Forquilha convencional, curso 100 mm
Suspensão Traseira Amortecedor ajustável na pré-carga, curso 30 mm
Travão Dianteiro Disco de 320 mm, pinça de 4 pistões, ABS
Travão Traseiro Disco de 260 mm, pinça de 2 pistões, ABS
Pneu Dianteiro 150/80-16”
Pneu Traseiro 180/65-16”
Altura do Assento 695 mm
Distância entre eixos 1550 mm
Depósito 16 litros
Peso (a seco) 215 kg
Cores Preto
Garantia 3 anos
Importador Multimoto Motor
PVP 6.190€ / 6.490€

PONTUAÇÃO BENDA CHINCHILLA 500
Estética 3,5
Prestações 3,5
Comportamento 4
Suspensões 3,5
Travões 3,5
Consumo 3,5
Preço 4

PONTUAÇÃO BENDA NAPOLEON BOB 500
Estética 4
Prestações 3,5
Comportamento 3,5
Suspensões 3,5
Travões 3,5
Consumo 3,5
Preço 4

Tags: BendacustomMotosMultimoto
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