Tentar fazer em casa e errar pode sair caro
Melhorar a sua moto é divertido e pode resultar em poupanças consideráveis, mas precisa de saber como o fazer, caso contrário, pode causar danos graves. Poupar na mão de obra e conhecer melhor a sua “bela” moto é um ritual de passagem, mas entre uma mudança de óleo e um ajuste da corrente, o desastre está à espreita. Frequentemente, o que começa por ser uma manutenção barata transforma-se numa conta de três (ou quatro) dígitos na oficina. Eis os 7 erros mais comuns que colocam a sua carteira e a sua segurança em risco.

1 – A Síndrome do “Hulk”: Apertar os parafusos demais
É o erro clássico. Pensa: “Quanto mais apertado, mais seguro”. Errado. Cada parafuso de uma moto tem um valor de binário específico. – A tampa do óleo: apertá-la demasiado no cárter de alumínio é a forma mais rápida de espanar a rosca. O resultado? Um cárter de óleo novo ou uma reparação cara com inserto helicoidal. Velas de ignição: se as apertar demasiado, corre o risco de as partir dentro do cabeçote. É aí que começam os problemas. A solução: Invista numa chave dinamométrica. É a ferramenta que diferencia um amador de um mecânico profissional. ‘Umm bocadinho antes de partir’ é para amadores.

2 – Mudança de óleo com substituição da anilha
A anilha que vem agarrada ao bujon (geralmente feita de cobre ou alumínio) garante a vedação da tampa do óleo do motor. Reutilizá-la muitas vezes, perdê-la a remover o bujon ou esquecer-se de a recolocar pode causar fugas. Solução: Troque-a a cada mudança de óleo: é um componente barato, mas essencial.

3 – Corrente “corda de violino”
Ver uma corrente ligeiramente solta é irritante, mas apertá-la como se estivesse a tocar uma sinfonia é suicídio mecânico. Uma corrente com a folga inadequada por estar apertada demais impede o correto funcionamento da suspensão traseira e exerce uma enorme pressão sobre o rolamento do veio de saída da transmissão. O dano: Se este rolamento falhar, terá de desmontar o motor ao meio. Um serviço que custa milhares de euros apenas para eliminar um único centímetro de folga.
4 – Qualquer óleo serve? Na verdade, não
Comprar óleo em promoção no supermercado só porque “é 10W-40” pode ser um risco. Os motociclos (exceto em casos raros com embraiagens a seco) utilizam o mesmo óleo para lubrificar o motor, a transmissão e a embraiagem. O risco: Os óleos para automóveis contêm aditivos antifricção que podem fazer patinar a embraiagem da moto em tempo recorde. Utilize apenas produtos com a especificação JASO MA ou MA2. Poupar 20€ em óleo hoje pode custar 200€ em discos de embraiagem amanhã.

5 – Excesso de óleo no motor
Adicionar óleo em excesso é um erro comum, mas subestimado. Um nível excessivo pode aumentar a pressão interna e comprometer as juntas e as vedações, além de reduzir a vida útil da embraiagem e a eficiência do motor, pois pode chegar a atrapalhar o movimento descida dos pistões. Solução: Verifique o nível com a moto na posição correta (ereta no cavalete central ou de acordo com o manual) e nunca ultrapasse o máximo indicado.
6 – Faça você mesmo com as ferramentas erradas
Usar uma chave Allen barata ou uma chave inglesa ajustável (a famosa “destruidora de porcas”) em parafusos de alumínio ou de aço macio é a melhor forma de espanar a cabeça dos parafusos. Dica: Se a chave não encaixar na perfeição, pare. Um parafuso espanado num local de difícil acesso pode exigir horas de perfuração e extratores, com o risco constante de danificar os componentes circundantes. No caso de parafusos, dar um ‘tapa’ antes de tentar remover ajuda.

7 – Pastilhas de travão: Não é só “remover e substituir”
Trocar as pastilhas pode parecer fácil, mas muitos esquecem-se de limpar os pistões da pinça antes de os voltar a instalar. O que acontece é que a sujidade e o pó acumulado nos êmbolos são pressionados contra os vedantes internos, correndo o risco de os arranhar ou deslocá-los. Acabará com êmbolos oxidados e uma pinça “preguiçosa” ou, pior, que perde pressão quando necessário.
















