A História da Honda no Rali Dakar – 1ª Parte

By on 17 Dezembro, 2020

Muita coisa aconteceu na prova rainha de todo-o-terreno e a Honda é uma peça importante no riquíssimo historial do rali Dakar. Nesta 1ª parte, revemos todas as suas motos, resultados, desde a estreia oficial em 1981, até ao aparecimento da icónica Africa Twin e da experimental dois tempos EXP-2.

“Um desafio para quem vai, um sonho para quem fica.” Foi com esta frase que Thierry Sabine deu o sinal de partida para os participantes do primeiro rali Paris-Dakar há mais de 40 anos. E as suas palavras tornaram-se históricas. Em tempo recorde, a corrida evoluiu para um dos mais fascinantes e famosos eventos desportivos do mundo. A Honda, também escreveu uma grande parte da lendária prova nas décadas seguintes.

Foi um começo discreto, quando um total de 90 motos, 80 automóveis e 12 camiões partiram para o primeiro Paris-Dakar no dia 26 de dezembro de 1978, da Praça Trocadéro, em frente à Torre Eiffel.

CYRIL NEVEU NO DAKAR DE 1979

As motos de então, comparadas com as offroad altamente sofisticadas de hoje, tinham pouco mais em comum do que as rodas. Os motores. eram simples motores monociclindricos de 35 CV montados em quadros de motocross que em conjunto com volumosos depósitos de combustível artesanais, adaptavam as motos a longas distâncias. A grande aventura prosseguiu até aos nossos dias. Os vencedores do Dakar tornaram-se heróis e as suas motos ícones das duas rodas.

A estreia da Honda

Em 1981, a Honda viu nesta competição uma nova oportunidade e assinou com o vencedor das duas primeiras edições do Dakar, o francês Cyril Neveu, de 24 anos, para aquela edição do Dakar. Mas o início da jovem estrela complicou-se.

PARIS DAKAR 1982 – CYRIL NEVEU / HONDA 500 XRR

Durante o prólogo, que ocorreu nos arredores da cidade de Orleans, a poucos metros de casa da residência do piloto francês, a corrente da Honda XLS 500 partiu-se a apenas 30 metros da linha de saída, levando 25 minutos a consertar. Depois disso, Neveu não conseguiu nem uma vitória de etapa e terminou o rali em 25º lugar. No entanto, o potencial da moto foi demonstrado pelo desempenho dos seus companheiros de equipa (Vassard, Desheulles, Rigoni) que venceram quatro etapas no total.

Honda XLS 550 R – A primeira vitória em 1982

Para o Dakar 1982, em vez do importador francês, a Honda Racing Corporation (HRC) assumiu a preparação das motos para o Dakar. A cilindrada do motor monociclindrico aumentou para 550cc e a potência subiu para 45 cv. Como a transmissão permaneceu limitada a quatro velocidades, a embraiagem também foi reforçada para maior durabilidade e a capacidade do depósito aumentou de 32 para 42 litros.

Mas o grande passo em frente aconteceu com ao nível das suspensões, tendo sido substituídos os dois amortecedores traseiros da XLS 500 por um mono-amortecedor com sistema de articulação Pro-Link. Com a suspensão progressiva e com mais do dobro do curso que no modelo de 1981, a moto apresentava um potencial consideravelmente superior nas pistas rápidas e mais reserva de combustível com o depósito cheio. A aposta do HRC resultou em pleno e Neveu proporcionou à Honda a sua primeira vitória no Dakar com a XLS 550R, com o seu companheiro de equipa Philippe Vassard a terminar em segundo.

No entanto, as motos com um único cilindro perdiam cada vez mais terreno para as motos bicilindricas nas rápidas pistas de África. Com uma velocidade máxima de cerca de 160 km/h,  perdiam muito tempo em comparação com os 180 km/h das motos de dois cilindros. Era uma desvantagem para que a maior maneabilidade das monociclindricas pudesse compensar, e nos anos seguintes, a XLS550R só conseguiu um pódio final (o 3º lugar de Vassard, 1984) no Dakar.

Honda NXR750 – De 1986 a 1989 a vencer

Ficou então claro que para reencontrar o caminho para a vitória era necessário projetar uma moto completamente nova, e a Honda NXR750 foi desenvolvida para o Dakar de 1986. Sob o enorme depósito de 57 litros havia um novo protótipo de motor V2 com trem de válvula OHC, uma cilindrada de 779cc e uma potência máxima de 70 cv. Com o depósito pleno de combustível, a NXR pesava cerca de 250 kg. Porém, havia uma coisa que só os pilotos de fábrica sabiam na época: em termos de robustez e maneabilidade, a NXR estava muito à frente da concorrência, e Neveu provou isso na primeira tentativa.

O potencial da moto permitiu-lhe planear a corrida de forma inteligente e minimizar os riscos. Após 15.000 km, o mais longo Dakar da história, o francês voltou a garantir o degrau mais alto do pódio para a Honda. Foi a primeira de quatro vitórias consecutivas no Dakar para a NXR.

Neveu novamente em 1987, mas também Edi Orioli em 1988 e Gilles Lalay em 1989 já com a NXR 800 tomaram o primeiro lugar com a poderosa moto de 2 cilindros em V. Nenhum fabricante tinha conseguido até aquele ponto escrever um capítulo tão brilhante na vida do Dakar, e a NXR ficou imortalizada na história do Dakar.

Honda Africa Twin: Vencedora da classe Maratona em 1990

A NXR cumpriu o seu papel de pioneira, mas enquanto uma lenda se afastava, outra esperava a sua vez. Em 1988 foi apresentada a nova Africa Twin (650cc, 49 cv). Para demonstrar que a moto não só compartilhava a estética da NXR como o seu poderoso desempenho, o importador francês da Honda assumiu a liderança no Dakar de 1989 e, sob o slogan “50 Africa Twin to the Dakar”, ofereceu a oportunidade aos privados de participarem no rali numa Africa Twin apenas parcialmente modificada, com dois tanques depósitos traseiros de 8 litros e suspensões preparadas. Um número extraordinário de 18 pilotos amadores atingiu o objetivo final, e a promoção da Africa Twin continuou pelos dois anos seguintes.

Em 1990, Toni Boluda termina a longa maratona no 18º lugar da geral e consegue a vitória na categoria maratona; e, em 1991, o italiano Roberto Boano chegou ao 11º lugar na classificação geral numa das Honda Africa Twin vermelha, branca e azul privada.

ORIOLI

Nesse mesmo ano de 1990 Orioli vencia o Dakar com a poderosa Cagiva 900 Elefant, para nas três edições seguintes (1991, 1992, 1993) um certo Stephane Peterhansel monopolizar o pódio com as Yamaha YZE 750T e 850T.

GILLES LALAY

Honda EXP2 – A experimental ‘dois tempos’ de 1995

Apesar dos sucessos, a Honda só voltaria ao rali em 1995. Na época, o objetivo não era vencer, mas mostrar as novas tecnologias da EXP-2. Tratava-se de uma moto experimental, que equipada com um motor de 2 tempos de 402cc se convertia num motor de auto-ignição sob certas condições de carga, simulando no fundo os ciclos de operação de um motor “diesel”.

A EXP-2 mostrou excelente desempenho, tendo conseguido um quinto lugar à geral com Jean Brucy mas o projeto não teve continuidade. A Honda ausentou-se do Dakar por um longo período… mas haveria de voltar noutro tempo, noutro continente e com valorosos pilotos portugueses!

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