Nova estabilidade financeira garante futuro da equipa
A KTM atingiu um marco financeiro importante, com o CEO a descartar categoricamente a venda da equipa de MotoGP.
O CEO da KTM, Gottfried Neumeister, afastou a venda da equipa de MotoGP da empresa, pondo aparentemente fim a todas as especulações sobre a sua futura participação na modalidade — participação que já está garantida para as próximas cinco temporadas.
A KTM confirmou o seu total compromisso com o mundial de MotoGP após ter alcançado um marco financeiro importante pela primeira vez em quase dois anos. Depois de ultrapassar dificuldades financeiras recentes, com a ajuda da Bajaj Auto e de credores, a KTM voltou a registar lucros.
Isto representa uma grande conquista para a fabricante austríaca que, há menos de dois anos, acumulava dívidas elevadas, entrou em processo de reestruturação (administração própria), despediu centenas de funcionários e acumulou um enorme stock de produtos não vendidos.

Até à data, em 2026, a receita combinada de motociclos das marcas KTM, Husqvarna e GasGas cresceu 109,1%, com a KTM a vender quase 100.000 unidades no primeiro semestre do ano.
A recuperação da empresa foi mencionada por Neumeister durante uma declaração no Red Bull Ring, em Spielberg, esta sexta-feira, assim como os planos da KTM para permanecer no MotoGP.
Sobre a permanência da KTM no MotoGP, Neumeister afirmou: “Assinámos o contrato de cinco anos com a Dorna [para a nova era das 850cc]; é muito claro que não vamos vender a equipa, nem sequer uma pequena parte dela; estamos totalmente comprometidos. O título de MotoGP é um dos poucos que ainda não conquistámos”, acrescentou Neumeister. “De um modo geral, é muito bom ver que conseguimos realizar a recuperação [financeira]. No segundo trimestre, conseguimos atingir o ponto de equilíbrio em termos de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos). Ver lucros pela primeira vez em quase dois anos foi realmente um ótimo sinal, um grande alívio. O desporto automóvel e o motociclismo de competição no seu todo — não apenas o MotoGP, mas os sucessos que conseguimos alcançar mesmo naqueles tempos difíceis, vencendo o Dakar e conquistando seis títulos mundiais até agora (e a temporada ainda não terminou) — são realmente animadores. Isto é o mais importante para a KTM. O desporto automóvel está no nosso ADN; é o nosso laboratório de testes. Tudo o que aprendemos aqui, podemos depois aplicá-lo na nossa produção em série.”

O que torna esta recuperação ainda mais impressionante é o facto de as dificuldades financeiras anteriores da KTM terem levado a empresa a “queimar caixa” enquanto tentava manter as operações em funcionamento. Neumeister acrescentou: “Há um ano, surgiu a questão: ‘Sr. Neumeister, conseguirão sequer manter o programa de competições?’ Estávamos a queimar liquidez e, claro, era uma questão legítima, mas isso também gerava muita incerteza. “Havia também aqueles rumores sobre se iríamos vender a equipa de MotoGP ou se teríamos de trazer um sócio, como a Mercedes fez na Fórmula 1 — afinal, o fabricante (OEM), não tem necessariamente de ser o proprietário de toda a equipa.”
















