Nas entranhas da “Besta” – KTM 1290 Super Duke R de 2020

By on 11 Fevereiro, 2020

A nova KTM 1290 Super Duke R de 2020, recentemente apresentada no Autódromo de Portimão, é o expoente máximo da marca em termos de Naked desportiva, com um desempenho extraordinário e características que podem fazer inveja a algumas Superbikes.

As naked estão na moda e graças ao seu guiador mais alto do que o de uma hiperdesportiva, tornam-se mais fáceis de levar no dia a dia. Os fabricantes estão conscientes do crescimento do segmento e do seu potencial pelo que vemos uma aposta clara de cada vez subirem mais a fasquia com motores de potências próximas aos 200 cv, algumas superando mesmo essa barreira.

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É o caso da nova KTM 1290 Super Duke de 2020 que, com os seus 180 cv de potência e um binário de 140 Nm proporcionado pelo característico motor bicilíndrico em V, ajudados por electrónica do mais sofisticado que existe, se posiciona no topo deste segmento. Uma moto que resulta ser mais potente, mais rígida, mais sofisticada e ao mesmo tempo mais fácil de pilotar parece ser um contrassenso… mas não é.

E essa realidade é comprovada quando começamos a conhecer os pormenores da sua evolução e daquilo que o modelo de 2020 traz no seu interior. Em termos de quadro e ciclística houve uma renovação total e completa, acompanhada por um ajuste interno do tradicional motor LC8 que inclui agora novos componentes e por uma electrónica mais evoluída que permite um controle mais fino do seu desempenho.

O motor apesar de manter o mesmo binário máximo de 140 Nm que o anterior passou a ter esse binário disponível muito antes sendo que 80% do binário está disponível logo a partir das 3.500 rpm atingindo o seu máximo às 10.500 rpm, realidade que estabelece uma extensa franja de regimes sempre cheia de binário o que sem as ajudas electrónicas tornaria a moto certamente muito difícil de pilotar.

O trabalho realizado no motor LC8 para se obter estas prestações foi realizado em vários componentes como nas válvulas que passaram a  ser de titânio ultra leve e também uma admissão renovada graças a um airbox de maior dimensão com colectores de admissão mais curtos e novos injectores colocados na posição chamada de “top feed”.

O escape foi redesenhado e é agora mais leve 1 Kg e mais eficiente, melhorando a extração de gases devido ao novo desenho assimétrico dos seus dois coletores. A admissão passou também a beneficiar de um novo sistema Ram Air que funciona através das óticas dianteiras.

Todo este desenvolvimento apenas permitiu que a Super Duke apenas mantivesse a homologação Euro 4 embora os técnicos da KTM assegurem que tanto o motor como o escape estão preparados para superar as exigências do Euro 5 sendo para isso apenas necessário actualizar a sua electrónica.

E é precisamente na electrónica que vemos também uma grande evolução que permite gerir de forma muito eficaz toda a pujança mecânica do motor LC8 com um excelente tacto de acelerador e uma entrega de potência vigorosa mas controlada em qualquer situação. A incorporação de um IMU, Unidade de Controle de Inércia, de 6 eixos permite realizar uma gestão de todas as funcionalidades com uma medição constantes de todos os parâmetros e uma intervenção ao milésimo de segundo nas ajudas electrónicas de forma a proporcionar um desempenho e uma eficácia máxima da Super Duke.

Em termos de modos de condução a KTM 1290 Supe Duke conta com 5 modos diferentes:

  • Modo RAIN com redução de potência para os 130 cv e uma entrega mais suave da mesma com a função de controle de tração na posição mais intrusiva.
  • Modo STREET beneficia da potência máxima de 180 cv mas com alguma intervenção do controle de tração e dos sistema anti-cavalinho.
  • Modo SPORT obviamente com potência máxima de 180 CV e uma resposta mais imediata do acelerador e a função de controle de tração minimizada de forma a permitir algum derrapar da roda em aceleração, mantendo a função anti-cavalinho activa.
  • Modo TRACK  especialmente vocacionado para a utilização em circuito , mantendo a potência máxima dos 180 cv e permitindo ajustar as diferentes funções disponíveis ou seja, o controle de tração em 9 níveis diferentes, poder desligar o controle anti-cavalinho, e ajustar também o ABS de forma a permitir em travagens mais fortes levantar a roda traseira, em modo Supermoto, e permitir também maior liberdade na gestão do comportamento da roda dianteira sobretudo quando se utilizam pneus de máxima aderência em pista como é o caso dos Slicks.
  • Finalmente o Modo PERFORMANCE permite o mesmo tipo de ajustes ( personalizável ) que o Modo TRACK  embora para uma utilização em estrada e para utilização do sistema de navegação da KTM “MyKTMnavigation”.

Para além de todas as “facilidades” electrónicas a 1290 Super Duke R conta ainda com caixa de 6 velocidades com QuickShift que permite a passagem de caixa sem cortar gás nem utilizar a embraiagem, Existe uma versão de QuickShift  bi-direcional em opção sendo a versão standard apenas para subida de caixa.

O quadro da Super Duke foi também objecto de evolução e aquilo que encontramos é um quadro totalmente novo que abandona a anterior estrutura de trelissa mantendo uma estrutura tubular com tubos de aço de maior secção mas de espessura inferior, conseguindo com isso uma rigidez  três vezes superior ao anterior.

A nível das suspensões houve também um upgrade importante e monta agora suspensões WP Apex de 48mm que incluem cartuchos interiores de diâmetro superior, com mais capacidade de óleo no sistema hidráulico e uma nova mola progressiva nas extremidades. Os ajustes  são possíveis ao nível da pré-carga e da extensão no hidráulico inclusivamente no amortecedor traseiro também WP Apex que passa a ter uma fixação via bielas. Finalmente também o braço oscilante foi reforçado e é agora 15% mais rígido que o anterior  e pesa menos 1,5 Kg. Os travões da KTM 1290 Super Duke R são Brembo Stylema, o modelo mais sofisticado da marca italiana, e os pneus são Bridgestone Battlax S22.

Conclusão a nova KTM 1290 Super Duke R de 2020 é uma arma letal em circuito e um verdadeiro “Monstro” de prestações desportivas, não aptas para o comum dos motociclistas. Exige-se por isso experiência e respeito por esta nova combinação explosiva de potência, electrónica e prestações.

Brevemente o ensaio completo no MOTO+.

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