Está a passar de moda, ou regressou agora?
Ultimamente, fala-se muito outra vez do cumprimento motard. Aquela aceno, flash das luzes ou abano de cabeça, que supostamente só praticam os ‘verdadeiros’ motociclistas, seja lá o que isso for!
Dois dedos para baixo com a mão esquerda parece ser a moda atual, um “olá” que exprime o desejo de que o outro mantenha as rodas no chão e fique seguro, mas que é também um reconhecimento de classe, de que pertencemos todos a uma minoria, a lutar contra o que por vezes parecem ser probabilidades todas viradas contra nós… e o hábito é bastante giro, na verdade.

É do género “não importa o que conduzes, estamos todos aqui a fazer o que gostamos…” Mas… há sempre aquela pessoa que te ignora. Reparei que numa Vespa recebemos acenos de quase toda a gente. OK, talvez menos dos donos arrogantes de BMW’s grandes… Numa RR, já é só QUASE toda a gente… parece que os tipos das motos desportivas são os piores. Estranhamente. Ou não, talvez tenham medo de tirar a mão do avanço, mesmo que seja só por um instante… Já houve uns tipos da Harley que não retribuíram o aceno, achando talvez que eram demasiado ‘cool’. Mas, no geral, os motociclistas de motos desportivas são os menos “amigáveis”. O mais inevitável parece ser quando há um reconhecimento de modelo ou classe: “Olha, outro com uma XBTZ1385RS”, ou com uma moto azul metalizado igual, ou customizada com os mesmos acessórios… se der tempo para ver isso tudo!
É verdade que o cumprimento era mais relevante há 40 anos, quando éramos muito menos e passar outra moto era mais raro, quase uma alegria, mas também tinha esse aspeto de dizer “temos a mesma paixão, sei como te sentes, os sacrifícios que por vezes tens de fazer e os riscos que corres diariamente, mas também sei que o prazer e sensação de liberdade que partilhamos suplanta tudo isso!”
Agora, concordo que estar a saudar a cada 10 metros outra moto em cidade poderia ser um bocado ridículo e até perigoso, no sentido de nos desconcentrar do trânsito. O cumprimento é mais uma coisa de estrada, quando vemos ao longe outra moto (ou motos) aproximar-se, temos tempo para pensar que nos vamos cruzar com eles e queremos então indicar que temos algo em comum…
Enfim… apenas alguns pensamentos aleatórios esta manhã, enquanto a moto está parada na garagem à espera da próxima saída. Reparei que quase todos os motociclistas acenam, independentemente do tipo de moto, com exceção das scooters. Aqueles tipos arrogantes nunca acenam de volta, seja por estarem a fazer disparates no trânsito ou lá o que for! Ou querem, pelo contrário, indicar que não, não se sentem parte do grande universo motard alargado, mas foram apenas constrangidos a usar aquela coisa medonha e ruidosa por causa do preço da gasolina! A sério, nunca recebi um aceno de volta, mas imagino que a maioria deles tenha coisas mais importantes para fazer do que estar preocupado com gestos de “vida de motociclista”… ou talvez tenham complexos justamente porque alguém numa moto grande os ignorou. Mas então, não sou o mesmo quando ando numa 50, ou numa cruiser de 1600 cc? Para alguns, aparentemente não! Para os outros, boas curvas e, como eu costumava dizer, andem seguros para andar sempre!
















