Uma BMW muito…Ducati

By on 23 Maio, 2019

A cena custom japonesa continua a surpreender. Mesmo com a internet a encolher o mundo, ainda há jóias no Oriente à espera de serem descobertas – muitas vezes não por serem divulgadas, mas pela sua existência passar de boca em boca.

É o que se passa com esta BMW da Switch Stance Riding, que é uma pequena loja de personalizações em Amakusa – uma série de pequenas ilhas pouco conhecidas na costa de Kyushu, a ilha mais a sudoeste do Japão. Esta parte do Japão está bem fora do roteiro convencional, mas o fotógrafo Marc Holstein fez uma visita recente e era o único ocidental por quilómetros. As habilidades de detetive de Marc levaram-no ao construtor Toshiyuki Kozaka, especialista em máquinas europeias – especificamente, as Ducati comandadas por engrenagens cónicas. Toshiyuki desloca-se regularmente com as suas motos até França, para o festival anual Wheels and Waves em Biarritz, que este ano tem lugar entre 12 e 16 de Junho.

Às tantas, Kozaka-san decidiu fazer uma pausa no seu trabalho habitual com este projeto, optando por trabalhar com um BMW R80 de 1988. “Eu queria mostrar como poderia ser se um construtor de Ducati pusesse as mãos numa BMW”, diz ele. O objetivo era dar à BMW um aspeto de clássica de corridas de resistência, com uma boa dose do estilo dos anos 70 à mistura. Mas Toshiyuki também queria combinar a elegância das peças italianas com a engenharia alemã subjacente na R80.

É uma mistura eclética de ideias, mas ele conseguiu a façanha. Na frente, Toshiyuki enxertou os garfos de 40 mm e tê superior de uma ultra-rara Ducati 750 F1 Montjuich. A traseira foi atualizada com um amortecedor ajustável da Öhlins, completo com reservatório remoto. Está ligado a um braço oscilante Paralever e transmissão final mais recente – tirados de uma BMW mais nova.

As rodas são impressionantes unidades de 17 ”da Speedline, um tamanho menor do que as originais da R80, e equipadas com pneus Pirelli Diablo Rosso II. Os travãos dianteiros de disco único foram trocados por um conjunto de discos duplos Brembos de uma BMW K1100, com as pinças montadas em suportes feitos à mão.

Para a carroçaria, Toshiyuki montou um depósito de corrida de Moto Guzzi em alumínio, com uma carenagem de corridas da NCR concebida originalmente para a Ducati Pantah. E embora eles venham de duas fontes diferentes, ambas as peças se encaixam como se fossem feitas uma para a outra.

O depósito demorou um pouco a adaptar ao chassis da BMW, mas a carenagem foi mais fácil. Para rematar, há um farol Koito de 7 ”embutido na frente a completar o “look”.

A unidade da cauda é totalmente personalizada, até o assento com a sua combinação de alcantara e estofo de vinil. Toshiyuki redesenhou o sub-quadro e instalou uma luz traseira CEV e um suporte feito sob medida para a chapa de matrícula. O cockpit também não foi negligenciado. Os avanços são também da Ducati Montjuich, os punhos são da Yamaha TZ 250, e o velocímetro é da Motogadget, montado num suporte personalizado.

Um par de espelhos modernos de moto desportiva levam também os piscas da frente, e um conjunto de poisa-pés recuados de marca branca completa os controlos. Toshi deixou o motor em si sem modificações, mantendo inclusivamente a caixa de ar intacta. Mas um ligeiro aumento de desempenho vem de um par de carburadores de guilhotina Keihin FCR39 , substituindo os Bing de origem, e um sistema de escape dois em um com um silenciador de corrida incrivelmente ruidoso.

O sistema elétrico foi atualizado com bobines Dyna, cabos de velas Nology e uma bateria de iões de lítio mais leve. Há pequenos toques perfeitos – como o guarda-lamas dianteiro de carbono e a tira de apoio do escape robusta e perfurada. Para a pintura, Toshiyuki pintou a moto em branco pérola e ao quadro em azul vivo. O seu amigo Orvis One, na vizinha Kumamato, acabou a decoração da R80 com uma pintura inspirada de filetes azuis e vermelhos – tudo feito à mão.

É um conceito muito improvável, misturando componentes da BMW e da Ducati, mas os gráficos, a especificação das peças usadas e a vibração clássica de resistência do todo acabam por criar um conjunto de rara beleza.

Estamos curiosos para ver o que a Switch Stance produzirá de seguida – e imaginando que outras preciosidades escondidas podem estar à espera de ser descobertas pelas estradas secundárias do Japão.

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